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celularok também é cultura: Detetizar ou Dedetizar?







E
m
1874, um estudante alemão sintetizou o Dicloro Difenil
Tricloretano, ou simplesmente DDT, substância que, inicialmente
esquecida, acabou por conferir o Prêmio Nobel de Medicina de
1948 a seu descobridor moderno, o suíço Paul Müller. A
substância foi muito usada na Segunda Guerra Mundial para
proteger soldados contra insetos. A partir daí, tornou-se um
popular pesticida em pó branco, tanto para combater doenças
transmitidas por insetos, como para ajudar fazendeiros no
controle das pestes agrícolas.


Sua
reputação, contudo, durou pouco, pois, em 1962, Rachel Carson
publicou o livro "Silent Spring", obra tida como uma das mais
influentes do século, em que mostrou que a referida substância
estava contribuindo para a extinção de algumas espécies, entre
as quais o falcão peregrino e a águia careca. Afirmava, ainda,
tal autora que tal substância penetrava na cadeia alimentar e
acumulava-se nos tecidos gordurosos dos animais, inclusive do
homem, com o risco de causar câncer e dano genético.


Os
opositores de seu uso ressaltam sua volatilidade, seu efeito
residual no organismo humano por até trinta anos e sua
potencialidade cancerígena. Em 1972, os Estados Unidos da
América, depois de acirrada disputa judicial e política, baniram
o produto. Logo foram seguidos pela maioria dos países
industrializados. Nas lavouras do Brasil, não pode ser usado
desde 1985, e a Suíça não o permite desde 1939. Existe um
projeto mundial, feito por ambientalistas, para bani-lo
totalmente do planeta até 2007.


Apesar
de grande oposição em todo o mundo, também conta com defensores
de peso, em razão de sua eficácia e custo baixo na higienização
de ambientes contra o mosquito transmissor do parasita da
malária. Afirmam tais defensores que até hoje não existe prova
definitiva de que o DDT prejudique a saúde humana. No combate à
malária, continua sendo usado por cerca de vinte países.


Pois
bem: da substância Dicloro Difenil Tricloretano, ou, mais
especificamente, de sua sigla DDT (ou D.D.T), surgiram os
neologismos dedetização, dedetizado, dedetizador, dedetizar,
dedetizável, todos hoje aceitos como palavras de nosso léxico
pelo Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, elaborado
pela Academia Brasileira de Letras, que é quem tem a
responsabilidade legal de editá-lo, em cumprimento à vetusta Lei
Eduardo Ramos, de n° 726, de 8 de dezembro de 1900, listando,
assim, os vocábulos de nosso idioma, consolidando-lhes a grafia
e classificando-os por gênero e por categoria morfológica.


Na
esteira do que ocorreu com outros neologismos, dedetizar,
originariamente, significava aplicar DDT. Seu conteúdo semântico,
porém, extrapolou os limites de seu significado, e a substância
passou a representar toda e qualquer substância similar, a
exemplo do que se dá com gilete e cotonete. Assim, aplicar toda
e qualquer substância similar, ainda que não fundada no
princípio ativo do Dicloro Difenil Tricloretano, passou a ser
dedetizar. É por isso que, hoje, embora vedado seu uso em nosso
país, vêem-se, aqui e ali, as empresas de dedetização, que podem
aplicar diversas substâncias com idêntico objetivo, mas
seguramente não utilizam DDT.



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